Juiz do caso Ronaldinho não aceita sugestão do MP de livrar craque e irmão de processo no Paraguai Ex-jogador e seu irmão Roberto de Assis depuseram por cerca de seis horas no Juizado Penal de Garantias de Assunção sobre o caso dos passaportes falsos 06/03/2020 por Martín Fernández e Raphael Sibilla — Assunção, Paraguai

O juiz Mirko Valinotti, responsável por ouvir nesta sexta-feira os depoimentos de Ronaldinho Gaúcho e seu irmão, Roberto de Assis, no caso dos documentos falsos, não aceitou o argumento do Ministério Público do Paraguai, que entendeu que os dois brasileiros não precisariam ser processados no país, e deu um prazo de dez dias para o MP reavaliar a situação.
Ronaldinho e Assis prestaram depoimento por mais de seis horas a Valinotti, no Juizado Penal de Garantias de Assunção, por mais de seis horas, sobre o uso de carteiras de identidade e passaportes falsos durante a passagem dos dois pelo Paraguai.
Embora o Ministério Público do Paraguai tenha indicado que Ronaldinho e Assis poderiam não ser processados, por terem colaborado com a investigação, o juiz do caso tem outra interpretação. Valinotti não aceitou os argumentos do MP e deu um prazo de dez dias para o órgão rever o caso e dar seu parecer, mantendo a sugestão de não processar os brasileiros ou apresentando uma acusação formal.
Ronaldinho e Assis deixaram o Palácio de Justiça no início da noite desta sexta-feira, mas ainda não revelaram se voltarão para o Brasil imediatamente ou se permanecerão no país. Os dois estão livres para deixar o Paraguai, mesmo com o pedido feito pelo juiz Mirko Valinotti para o MP rever o caso.
Ronaldinho e Assis tiveram os documentos retidos na quinta-feira, um dia depois da chegada ao Paraguai para participar de eventos promocionais. Os dois brasileiros não correm risco de prisão. É possível que a Justiça paraguaia determine uma reparação social pelo uso dos documentos falsos.
De acordo com o Ministério Público paraguaio, o uso de documentos públicos com conteúdo falso pode levar à uma pena de cinco anos ou multa. No entanto, ainda segundo o MP, Ronaldinho foi beneficiado por dar vários dados relevantes à investigação, quando ele e Assis admitiram o erro pelo uso dos documentos. O MP considerou que ambos "foram enganados em sua boa fé". A promotoria decidiu usar o “critério de oportunidade”, recurso no Código Penal paraguaio que deixa livre de processo Ronaldinho e seu irmão. Ele é usado quando os suspeitos admitem o delito e não têm antecedentes criminais no país. O argumento, no entanto, não foi aceito pelo juiz Mirko Valinotti.
A promotoria acusou três pessoas: o empresário Wilmondes Sousa Lira, apontado pela defesa de Ronaldinho como responsável pelos documentos falsos, e as paraguaias María Isabel Galloso e Esperanza Apolonia Caballero. O MP pediu a prisão preventiva de Wilmondes. Detido nesta quinta-feira, ele foi acusado por produção de documentos não autênticos, uso de documentos públicos de conteúdo falso e falsidade ideológica.
Nesta sexta-feira, Wilmondes deixou a cela onde está preso no Palácio de Justiça e foi chamado para a sala de audiência onde o juiz Mirko Valinotti ouvia Ronaldinho e Assis.
Os passaportes e cédulas de identidade paraguaios do ex-jogador e de Assis foram expedidos ao nome de María e Esperanza e depois adulterados para possuírem os dados de Ronaldinho e o irmão. Ambas foram detidas e compareceram à sede da Promotoria contra o Crime Organizado na noite desta quinta, mas permaneceram em silêncio. Elas foram acusadas de uso de documentos públicos com conteúdo falso.
Outras pessoas e funcionários públicos também estão na mira da investigação da promotoria paraguaia. O caso provocou várias trocas de acusações entre autoridades do país e a renúncia do diretor de Migração do Paraguai, Alexis Penayo. Nesta sexta, o Ministério do Interior anunciou María de Los Ángeles Arriola Ramírez, funcionária do ministério, como nova diretora geral de Migração do país.
Entenda o caso
Ronaldinho e Assis chegaram na manhã de quarta-feira em Assunção para participarem de evento da ONG Fundação Fraternidade Angelical. Ambos também foram ao país a convite do empresário Nelson Belotti, dono de um cassino que tem o ex-jogador como embaixador. Os passaportes no desembarque chamaram a atenção das autoridades.
Os dois passaram a ser suspeitos por uso de documentos falsos, mas apenas horas depois, à noite, membros do Ministério do Interior e do MP locais fizeram uma operação de busca.
Segundo o MP, passaportes, carteiras de identidade e telefones de R10 e Assis foram apreendidos no Yacht y Golf Club. Segundo o ministro do Interior Euclides Acevedo, os dois ficariam sob custódia no hotel até a manhã desta quinta, quando foram prestar depoimento.

Fonte: Globo.com

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