Muita gente não sabe, mas em Maceió há um acervo onde estão reunidas mais de 76 mil amostras de plantas de diversos tipos e espécimes raras que só foram encontradas em Alagoas, como a Allamanda alagoana. É também um importante espaço para pesquisa, estudo e análise sobre a vegetação presente no estado, onde pesquisadores e alunos se reúnem para registrar a memória ambiental dos nossos biomas.
Se trata do Herbário Mac, uma tipo de setor ou cúpula que fica dentro do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA-AL), localizado no Farol, na capital alagoana. O espaço também recebe estudiosos de todo o Brasil.
Idealizado pelo biólogo e professor Osvaldo Viegas, o Herbário Mac existe há 46 anos, quando ainda se chamava de Coordenação do Meio Ambiente, e conta com cerca de 10 mil espécies de plantas catalogadas. Algas, fermentados, orquídeas, mangue-vermelho, catingueira, cactos, entre outros, podem ser vistos no local.
"O Herbário é isso: uma coleção. A gente faz coletas de material botânico para registrar a flora de alagoas, ou seja, é para a gente conhecer o que é que a gente tem como vegetação no nosso estado. Para isso, vamos para unidades de conservação e demais ambientes para coletar algumas estruturas dessas espécies, tanto da Mata Atlântica quanto em ambientes da Caatinga", explicou Juliana Silva, bióloga e consultora do Herbário há dois anos.
Para ela, conhecer essas vegetações é necessário para poder preservá-las e mostrar que as plantas que estão na natureza, também estão próximas das plantas que a população se alimenta, como feijão e milho. “O Herbário traz um pouco desse conhecimento cultural e traz também essa importância ecológica dos ambientes como um todo", disse a bióloga.
Da coleta em campo à catalogação
Para coletar todo o material e levá-lo para o Herbário, o IMA conta com cerca de 10 colaboradores, entre eles técnicos, pesquisadores e estagiários das áreas de engenharia florestal, agronomia e biologia.
"Eles acabam ficando quase um dia todo fora, em campo, para coletar as amostras, saem pela manhã e voltam no final do dia", contou Juliana.
Depois de coletadas, as amostras passam por etapas de análise e processamento que podem durar mais ou menos cinco dias, dependendo do tipo de planta. Os colaboradores costuram essas estruturas em cartolinas e depois registram o gênero e o nome específico.
Logo em seguida, são criados os números de registro para serem inseridos em um livro de tombo. É feita a digitação desse registro e as informações são disponibilizadas para uma plataforma chamada Espécie Link, onde pesquisadores de todo o mundo podem acessar.
