Alagoas foi palco, nesta segunda-feira
(08/09), da celebração dos 100 anos do etanol no Brasil, um combustível
que foi desenvolvido no estado e hoje é referência mundial em energia
limpa e renovável. A data histórica foi marcada por uma solenidade na
Usina Serra Grande, no município de São José da Laje, onde o engenheiro
químico e empresário Salvador Lyra realizou, em 1924, os primeiros
testes com o biocombustível derivado da cana-de-açúcar.
O evento,
que foi promovido pelo Sindicato da Indústria do Açúcar e do Etanol em
Alagoas (Sindaçúcar-AL), em parceria com a Usina Serra Grande e o
Governo de Alagoas, reuniu autoridades, líderes empresariais,
representantes do setor e convidados.
A cerimônia foi conduzida
pelo presidente do Sindaçúcar-AL, Pedro Robério Nogueira, e pelo
diretor-presidente da Usina Serra Grande, Luiz Antônio Bezerra.
A
programação começou no Museu da Usina Serra Grande, com o lançamento do
livro comemorativo dos 100 anos do etanol, editado pelo Sindaçúcar-AL e
seguiu com o descerramento de uma placa em homenagem ao centenário.
No
pátio industrial, discursos ressaltaram a importância histórica e
econômica do etanol, combustível que se consolidou como alternativa
estratégica para a transição energética e para o processo de
descarbonização.
Um dos momentos mais simbólicos foi o desfile da
primeira locomotiva que transportou etanol para os postos de
combustíveis em Alagoas e Pernambuco, relembrando a trajetória de
inovação que começou no interior alagoano e ganhou o país.
Netos
de Salvador Lyra participaram do evento, entre os quais Elizabeth Lyra
Farias e Tereza Lyra, Guilherme Lyra e Ricardo Lyra. Eles descerram uma
placa comemorativa e receberam as homenagens em nome do avô, considerado
um exemplo de pioneirismo e inovação na indústria nacional.
Etanol de Alagoas para o mundo
Durante seu pronunciamento, o presidente do Sindaçúcar-AL, Pedro Robério Nogueira, ressaltou o protagonismo do estado:
“Alagoas
virou exemplo para o Brasil e para o mundo. O etanol é fruto de um
programa ambientalmente correto, que contribui para a descarbonização do
planeta e que hoje é adotado em diversos países, como a Índia. É um
legado que nasceu aqui e se espalhou pelo mundo como solução energética
limpa e eficiente.”
O presidente da Datagro, Plínio Nastari, também participou da cerimônia, contextualizando a trajetória do etanol desde a o seus desenvolvimento de um modelo viável em 1925, passando pela criação do Proálcool em 1975 até os dias atuais. Ele destacou a dimensão social, econômica e ambiental do programa:
“Em 50 anos da
criação do Proálcool, o Brasil é exemplo de um projeto que ultrapassa o
objetivo de produzir energia e alimento de forma integrada. Trata-se de
um programa de desenvolvimento social, econômico e ambiental.”
Nastari trouxe dados que mostram o impacto do etanol na matriz energética brasileira:
“O
etanol já substituiu 4 bilhões de barris de gasolina. Esse volume é
muito significativo se comparado às reservas totais de petróleo e
condensados do Brasil, incluindo o pré-sal, estimadas em 10,9 bilhões de
barris.”
Segundo ele, o efeito econômico é expressivo:
“O
valor da gasolina substituída pelo etanol ultrapassa 760 bilhões de
dólares, mais que o dobro das atuais reservas internacionais de divisas
do país, que somam 353 bilhões de dólares.”
Nastari também destacou os ganhos ambientais do biocombustível:
“O etanol permitiu que o Brasil fosse pioneiro na substituição do venenoso chumbo detritivo, causador do saturnismo, e dos aromáticos cancerígenos presentes na gasolina. É um combustível isento de enxofre, que gera menos material particulado fino e menos emissões de hidrocarbonetos negativos. Por ser praticamente neutro em emissões de carbono, o etanol é hoje uma das estratégias mais viáveis para controlar o risco do aquecimento climático.”
Legado e futuro
Mais
que uma comemoração, o centenário do etanol reafirma o protagonismo de
Alagoas e do setor sucroenergético no avanço de uma matriz energética
mais limpa, sustentável e comprometida com o futuro.
Nascido no
engenho de Salvador Lyra, o etanol tornou-se peça-chave para a segurança
energética do Brasil, ajudou o país a superar crises internacionais e,
hoje, é exemplo global de como um biocombustível pode gerar riqueza,
reduzir impactos ambientais e abrir caminhos para um mundo menos
dependente dos combustíveis fósseis.

