No começo desta semana o portal
Metrópoles divulgou a mais recente rodada de pesquisa do Real Time Big
Data, realizada nos dias 22 e 23 de setembro de 2025. Apesar de ter
passado um mês do período de sua aplicação, os dados seguem atuais e
trazem elementos que devem ser considerados por quem acompanha
atentamente o cenário eleitoral em Alagoas para 2026.
O
levantamento teve 1.200 entrevistas em Alagoas, com margem de erro de 3
pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa mostra um
verdadeiro desafio de titãs para o governo se houver o enfrentamento de
JHC e Renan Filho, com situação mais definida para o Senado. A seguir os
resultados para cada disputa — governo e Senado — e, em seguida, a
nossa avaliação.
Resultados da pesquisa
Governo de Alagoas
Cenário 1: Renan Filho (MDB) – 49% versus JHC (PL) – 43%.
Cenário 2: Renan Filho – 55% versus Alfredo Gaspar (União) – 32%.
Cenário 3: Renan Filho – 59% versus Delegado Fábio Costa (PP) – 24%.
Cenário 4: Renan Filho – 56% versus Arthur Lira (PP) – 33%.
Rejeição
dos principais nomes para o governo: Arthur Lira – 47%, Delegado Fábio
Costa – 37%, Alfredo Gaspar – 35%, JHC – 27%, Renan Filho – 22%.
Senado Federal (duas vagas em disputa)
Cenário A: Renan Calheiros (MDB) – 25%, Davi Davino Filho (Republicanos) – 22%, Alfredo Gaspar – 18%.
Cenário B: Renan Calheiros – 27%, Davi Davino Filho – 23%, Arthur Lira – 17%.
Cenário C: Renan Calheiros – 29%, Alfredo Gaspar – 21%, Arthur Lira – 18%.
Cenário D: Renan Calheiros – 29%, Alfredo Gaspar – 21%, Arthur Lira – 19%.
Cenário E: Renan Calheiros – 26%, Davi Davino Filho – 22%, Arthur Lira – 17%.
Cenário F: JHC – 32%, Renan Calheiros – 13%, Arthur Lira – outros.
Avaliação
Governo
A pesquisa coloca Renan Filho com vantagem clara em praticamente todos os cenários testados — índices acima de 49% em todos os principais confrontos, combinação de recolhimento de apoio político e menor rejeição. A margem de erro de 3 p.p., no entanto, permite ainda certo grau de suspensão, mas o conjunto indica que ele parte como favorito.
Por
outro lado, JHC aparece no cenário restrito (49% vs 43%) — portanto
competitivo — mas sua posição carece de folga. Ele ainda tem base
eleitoral relevante, mas a leitura é que ele enfrenta um cenário mais
desafiante do que poderia imaginar: base de apoio menor, necessidade de
deixar a Prefeitura para disputar, falta aparente de coalizão ampla e o
fato de enfrentar um adversário bem mais estruturado.
Em resumo: JHC não dispara e se encontra em risco de ver a disputa se consolidar desfavorável se não ampliar apoios
Além
disso, a rejeição de JHC (22%) e, sobretudo de Arthur Lira (47%) mostra
que há espaço para movimentações internas no tabuleiro político — mas
isso também significa que o adversário Renan Filho opera com menor
arrasto de rejeição, o que favorece.
Senado
Aqui o panorama é ainda mais favorável a Renan Calheiros. Em cinco dos seis cenários ele aparece com 25% a 29% das intenções — números que, embora baixos para uma vitória garantida, são razoáveis para o início e superiores aos demais concorrentes (com exceção de um único cenário onde JHC aparece com 32% e Calheiros com 13%).
O
fato de ele manter a liderança persistente, com margem real de vantagem
nos gráficos, indica que ele entra na disputa com conforto
relativamente maior do que muitos supunham. Adicione‐se a isso a
estrutura política, visibilidade, bancada de apoio e capilaridade no
Estado: o resultado configura uma situação de “maior tranquilidade” para
Calheiros, comparada à dos candidatos ao governo.
Já para Arthur
Lira, o resultado é preocupante: aparece em terceiro ou quarto lugar em
praticamente todos os cenários, o que coloca em risco não só a
expectativa de elezinha, mas até o próprio mandato futuro, já que um
desempenho fraco pode repercutir não apenas para a disputa de 2026, mas
para a presença parlamentar. Esse dado exige atenção de sua base e
interlocutores.
Estratégicas
A vantagem
de Renan Filho significa que seus adversários — e JHC em particular —
terão de trabalhar muito mais cedo e com vigor para buscar alianças,
estrutura partidária, mobilização territorial e musculatura eleitoral.
Para
Calheiros, a missão é manter o ritmo, capitalizar sobre a consistência
nos levantamentos, evitar desgastes que possam corroer a dianteira
inicial e se preparar para converter intenção em voto real,
especialmente com duas vagas em disputa no Senado.
O cenário
reforça que os próximos meses serão decisivos: movimentações internas
nos partidos, definições de alianças e burocracia eleitoral (filiações,
coligações) terão impacto direto. O momento de vantagem pode virar
fragilidade se não administrado.
