A própolis vermelha de Alagoas, produto cada vez mais cobiçado no
mercado de saúde e bem-estar, tem uma origem específica e curiosa, a
planta Rabo-de-Bugio (Dalbergia ecastaphyllum). Na Reserva de Palateia,
no município de Barra de São Miguel, o Presidente da Associação dos
Apicultores da Paleteia, Antônio Ramos, transformou sua propriedade em
um ponto de conscientização sobre a importância dessa espécie para a
apicultura local.
O segredo da cor vermelha, diferente das
própolis verde e marrom, que são mais comuns, surge de uma resina
extraída diretamente do caule do Rabo-de-Bugio. O processo é fruto de
uma interação natural, onde um inseto fura a madeira da planta,
fazendo-a "sangrar" uma resina avermelhada, então, as abelhas coletam
essa substância e a misturam com cera e mel para proteger o entorno da
colmeia.
Para otimizar a colheita, os produtores utilizam um
coletor de própolis, tecnologia desenvolvida pelos apicultores de
Alagoas. O equipamento estimula as abelhas a vedarem frestas,
facilitando a extração do produto final.
Em entrevista ao programa Alagoas Rural, Antônio conta porque decidiu colocar um exemplar do Rabo-de-Bugio em sua propriedade.
"A
gente fala muito do Rabo-de-Bugio, mas as pessoas não conhecem direito,
porque precisa ir até o mangue, visitar o mangue. Eu coloquei uma
mudazinha aqui, e hoje ela está aqui, topada de sementes, ela se deu
muito bem aqui. Teve pessoas aqui para nos orientar e replantar tanto o
mangue, quanto o Rabo-de-Bugio. Inclusive, já venho fazendo esse
trabalho aos poucos, plantando as mudas e levando para o apiário, para
que não falte essa planta nunca”, contou o apicultor.
Sustentabilidade e Parcerias Estratégicas
Com
o apoio de instituições como o Sebrae e o Instituto Biota, os
produtores da região realizam o replantio do Rabo-de-Bugio para garantir
que a matéria-prima nunca falte. Além disso, a parceria com a Usina
Caeté mudou a realidade da produção, após um diálogo entre produtores e a
usina, o uso de defensivos agrícolas na cana-de-açúcar passou a ser
coordenado.
A usina avisa antecipadamente sobre as aplicações,
permitindo que os apicultores fechem as colmeias e evitem a morte das
abelhas. Além disso, a presença das abelhas ajuda a inibir o
desmatamento ilegal na mata.
Turismo Apícola
O
sucesso da produção na Reserva de Palateia já atrai curiosos, que
querem conhecer mais da produção da própolis vermelha, segundo Antônio.
O
próximo passo da Associação de Apicultores da Paleteia é estruturar o
turismo apícola, permitindo que visitantes conheçam as abelhas de perto
com equipamentos de segurança apropriados, fortalecendo a economia local
e a educação ambiental.
“Estamos vendo como que a gente faz,
para fazemos a rota turística, para ir conhecer as abelhas. Precisa de
um processo, porque vai precisar roupas e os equipamentos, tudo certo,
apropriados para fazer a visita”, contou Antônio.
Estagiário sob supervisão*
