O projeto Roda de Coco Oficial, iniciativa independente, têm alegrado
as noites de Maceió durante as segundas-feiras. Tomando lugar na Praça
das Aroeiras, no bairro da Ponta Verde, a roda faz um resgate cultural e
histórico de Alagoas, destacando o coco de roda como ritmo genuinamente
alagoano.
As toadas carregadas de fé, com composições próprias
dos integrantes da roda e outras do saber popular, arrastam uma multidão
de turistas e moradores da cidade, que param para prestigiar as
apresentações. Sendo um espaço aberto de genuína expressão, o projeto
convida artistas e um público de todas as idades.

A ideia de fazer uma roda de coco às segundas-feiras veio do dia de
folga de um grupo de amigos, segundo um dos organizadores, Rogério Dyaz.
Mas, como explica o historiador Pai Célio, o dia carrega um significado
espiritual.
“Segunda-feira é dia de Exu. Exu é o senhor dos
caminhos, senhor da vida, da fertilidade. A própria palavra Exú quer
dizer ‘esfera’. Na nossa tradição, Olorum percebeu esse planeta cheio
d’água e mandou Exu, que era a esfera. Ele começa a girar e faz com que a
Terra gire”, explicou.

A manifestação cultural e religiosa ganha força em um contexto de
intolerância, na cidade conhecida pelo episódio da Quebra de Xangô que,
de acordo com Pai Célio, foi um movimento político. Ocorrido em 1912
durante o período de carnaval, os intolerantes se infiltraram nos
blocos, causando uma verdadeira destruição que ficou marcada na história
alagoana.
O resgate histórico e popular encanta não somente moradores, mas
também turistas que participam do projeto, que já passa da sua 140ª
edição. Turistas como a Mônica Carvalho, do Rio de Janeiro, que
descobriu sobre a Roda no dia anterior à ela. Ela e Margareth Brainer
vieram juntas em um grupo de 18 pessoas que viajam ao redor do Brasil.
“Foi
uma grata surpresa. Soubemos ontem à noite dessa roda e não teve
dúvida. Amanhã de noite eu estou embarcando, mas não podíamos deixar de
assistir uma roda como essa num lugar como esse. E é uma roda
maravilhosa”, destaca Mônica.
“Estou encantada. Aproximar a
cultura do povo, que tem a ver com as nossas raízes, é um canto de
trabalho que move quem produz essas músicas. E a gente ver num bairro
nobre de Maceió reunindo mais ou menos uma centena de pessoas de vários
locais, só tenho que parabenizar”, destaca Margareth.

A roda se reúne todas às segundas-feiras, à partir das 19h. As
informações podem ser vistas no instagram oficial do projeto,
@rodadecocooficialmcz
*Estagiária sob supervisão
