O desembargador Tutmés Airan, do Tribunal de Justiça de Alagoas
(TJ-AL), levantou um debate em suas redes sociais neste domingo (1) ao
recordar a Quebra de Xangô, que é considerado o maior ato de
intolerância religiosa em Alagoas. Tutmés refletiu sobre a figura de
Fernandes Lima, que nomeia uma das principais avenidas da capital, e foi
um dos principais responsáveis por orquestrar o episódio.
No
episódio, que completou 114 anos nesta segunda (02), mais de 150
terreiros em Maceió foram dizimados. Religiosos de matriz africana foram
perseguidos e agredidos fisicamente, presos arbitrariamente e
intimidados de forma massiva. Instrumentos e objetos sagrados foram
destruídos e depredados.
“Este episódio nefasto ficou conhecido
como o Quebra de Xangô, e teve Fernandes Lima como um de seus maiores
responsáveis. E é este mesmo Fernandes Lima, com histórico marcado por
intolerância religiosa, violência e oportunismo político, o homenageado
com o nome de uma das maiores avenidas da capital alagoana”, declarou
Tutmés.

O
desembargador anunciou também que esteve em reunião com o Defensor
Público Geral do Estado, Fábio Souto Leão, para entrega de uma nota
técnica na qual analisa a possibilidade de alterar a denominação de ruas
e logradouros públicos que prestem homenagem à Fernandes Lima.
Estiveram
presentes na reunião o Coordenador da Comissão de Equidade Racial do
TJAL e integrante da Coordenadoria de Direitos Humanos, juiz Vinicius
Augusto de Souza Araujo; e do Coordenador de Direitos Humanos do TJAL,
Pedro Montenegro.
“A Justiça histórica vem, na maioria das
vezes, bem tarde. Ainda pior do que tardar, é quando ela nunca chega ou
quando não se reconhece a urgência de realizá-la o quanto antes”,
conclui Tutmés.
