Não foram palavras soltas ao vento. Tanto que elas ainda ecoam
fortemente na política alagoana, quase dez dias depois da sessão solene
de abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa de 2026. E não foi
apenas um gesto protocolar. Foi política. E com recado.
Após o
discurso do governador Paulo Dantas, o presidente da Casa, Marcelo
Victor (MDB), agradeceu presenças — e, nas entrelinhas, deixou claro que
está pronto para o enfrentamento político – se necessário.
MV falou pouco, mas disse muito.
Ao
exaltar a gestão do governador, Marcelo Victor destacou que “os números
de Alagoas são de dar orgulho, são extraordinários” e completou:
“Faremos a comparação no momento certo no que Alagoas vem entregando à
sociedade. Política é isso, não tem como fugir.”
Comparação. A
palavra não foi escolhida por acaso. O presidente da Assembleia
sinalizou que o debate eleitoral será feito com base em entregas,
indicadores e resultados concretos. Não apenas em narrativas.
Em
outro trecho, o recado ficou ainda mais claro. “Não se faz política
pública apenas conversando. Precisa conversar, mas depois tem que agir,
tem que ter capacidade de articulação, capacidade política de convencer
os outros a entender que aquilo é o melhor, mesmo sem ver, é quase um
exercício de fé.”
E foi além. “Precisamos de pessoas assim no
meio de uma turma nova que gosta mais do Instagram e da rede social. Tá
faltando político de verdade que olhe no olho do povo.”
A crítica
não foi nominal. Mas tem endereço certo. Em um ambiente pré-eleitoral,
onde nomes da direita e do centro-direita têm apostado fortemente na
presença digital e no engajamento virtual como principal ativo político,
Marcelo Victor decidiu se contrapor a esse modelo.
A mensagem direta é que likes não constroem estrada, não equilibram contas, não entregam obra.
O
discurso também reforça que o grupo governista — formado por Paulo
Dantas, Renan Calheiros, Renan Filho e o próprio Marcelo Victor — está
disposto ao confronto.
Não será uma campanha silenciosa. Ao
afirmar que a Assembleia “nunca faltou” ao governador porque confia na
condução da gestão, Marcelo Victor consolidou a narrativa de unidade
institucional e maioria sólida no Parlamento.
E deixou implícito que a disputa será entre modelos de fazer política.
De um lado, o grupo que se apresenta como gestor, articulador, construtor de políticas públicas.
Do outro, uma “turma nova” que, segundo ele, prefere a vitrine das redes.
O
tom foi firme. Sem gritos. Mas com alvos definidos – políticos de
oposição que surfam bem nas redes e devem se candidatar a cargos
majoritários este ano.
O embate de 2026 já começou. E, ao que
tudo indica, não será travado apenas na discussão sobre o que é — ou não
— “político de verdade” ou de preferências digitais. Mas essa é outra
história.
