O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), partiu de vez para a
guerra contra Arthur Lira e os Bolsonaros. Durante a inauguração de ruas
no bairro do Antares, o prefeito subiu o tom contra o deputado federal
Arthur Lira e o grupo bolsonarista, especialmente após o movimento que o
retirou do comando estadual do PL.
“A gente não se rende,
ninguém nos encabresta”, disse, em discurso direto, mirando o que
aliados interpretam como tentativa de enquadrá-lo no projeto eleitoral
do partido para 2026.
A fala veio um dia depois de JHC ser
destituído da presidência estadual da legenda, num gesto que escancarou o
racha. Nos bastidores, o episódio é tratado como ponto de não retorno.
Brasília
Antes
do rompimento público, JHC foi duas vezes a Brasília para conversar com
o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto. Queria disputar o
Senado.
Ouviu um “não” com roteiro pronto.
O ex-presidente
Jair Bolsonaro já havia fechado questão: em Alagoas, o PL marcharia com
Arthur Lira e Alfredo Gaspar. Sem espaço para improviso nem para
protagonismo paralelo.
JHC até aceitaria discutir outros
caminhos, mas com uma condição: indicar um nome da família para o
Senado, seja a esposa, Marina Cândia, ou a mãe, Eudócia. Não passou.
Ali, acabou.
Ingrato x Miliciano
O
desgaste virou confronto. Ainda em Brasília, segundo relatos de
bastidores, JHC disparou contra Lira, acusando o deputado de ter
“tomado” o partido, usando palavras fortes como “miliciano” para o
ex-presidente do Congresso.
Do outro lado, Arthur Lira também não está em modo diplomático. A aliados, tem repetido que o prefeito foi ingrato.
A
conta que Lira apresenta é pesada: diz ter articulado a indenização
bilionária da Braskem — cerca de R$ 1,7 bilhão — além de recursos da
BRK. Um pacote que ultrapassa os R$ 2 bilhões e que, segundo ele,
sustentou a base financeira da gestão municipal.
Com esse caixa,
JHC fez o que gestor gosta: postou ao lado de hospital, centro olímpico,
parque aquático, urbanização, fruto dessa injeção anormal de recursos.
O problema é que, para Lira, havia contrapartida implícita: apoio ao Senado. Que não veio.
Ninho Tucano
O
rompimento não ficou no discurso. Já foi operacionalizado. O presidente
estadual do PSDB anunciou a chegada de JHC ao partido. Tradução: o
prefeito não apenas saiu do PL, como reposicionou seu projeto político.
Sai de uma estrutura controlada por Bolsonaro e Lira e tenta construir um caminho próprio, com mais autonomia.
É
uma jogada de alto risco. No mesmo dia do lançamento da pré-candidatura
de Lira ao Senado, JHC reuniu 11 vereadores da base, muitos do PL e
sugeriu a mudança de sigla. No outro dia exonerou comissionado de
vereadores que abraçaram Lira.
Arthur Lira, JHC e Bolsonaro - Foto: Reprodução
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