O zumbido que ecoa pelas matas e pastagens do Sul de Alagoas esconde
um doce e valioso tesouro: o mel. Segundo dados da mais recente Pesquisa
Pecuária Municipal (PPM) do IBGE, a região foi responsável pela
produção de 23,6 mil quilos de mel em 2023. Embora o número impressione,
ele representa apenas 4,57% da produção alagoana daquele ano. Essa
pequena fatia de um bolo grande foi o sinal que o Sebrae Alagoas
precisava para identificar esse grande talento ainda pouco explorado.
Com
o objetivo de despertar esse potencial e transformar a vida de centenas
de famílias, o Sebrae reuniu em Penedo produtores, técnicos, gestores
públicos e instituições financeiras para lançar um projeto para o
fortalecimento da apicultura (criação de abelhas com ferrão) e
meliponicultura (criação de abelhas nativas sem ferrão). Mais do que
aumentar a produção de mel, o projeto pretende elevar a cadeia produtiva
ao patamar de excelência nacional e criar uma nova geração de
empreendedores rurais.
Com uma flora diversificada, que vai do
coqueiral à mata ciliar, a região Sul e Baixo São Francisco possui
ambientes perfeitos para as abelhas durante quase todo o ano. Essa
aptidão natural foi o ponto de partida para o diagnóstico do Sebrae que,
de acordo com Francisco Guilherme, analista da instituição, também
buscou ouvir as demandas e dúvidas dos criadores e dos produtores
interessados na atividade.
“Penedo e os municípios vizinhos têm
uma aptidão enorme para a criação de abelhas. O Sebrae viu nisso a
oportunidade não apenas de uma renda extra para os criadores, mas de um
negócio principal sólido. Com esse projeto queremos segurar na mão do
produtor e conduzi-lo por toda cadeia produtiva, orientando desde o
posicionamento das caixas no campo até a chegada no mercado do produto
final, com qualidade e embalagem diferenciada”, destaca.
O
projeto abrange 13 municípios: Penedo, Feliz Deserto, Piaçabuçu,
Coruripe, Jequiá da Praia, Anadia, Campo Alegre, Junqueiro, Teotônio
Vilela, Igreja Nova, Porto Real do Colégio, São Brás e Olho d’Água
Grande. Além de ampliar a produção, a meta é garantir que o mel alagoano
conquiste espaço nas prateleiras mais exigentes do país.
Além de
gerar renda para famílias rurais, a apicultura contribui para a
polinização das plantas e para a preservação do meio ambiente.
Um
dos desafios iniciais à sustentabilidade da cadeia produtiva não está
relacionada à escassez da vegetação ou de abelhas, mas à “virada de
chave” na cabeça do produtor. Muitos deles ainda veem a apicultura como
uma atividade secundária. Neste cenário, o projeto tem o compromisso de
profissionalizar essa visão, contando com o apoio das prefeituras
locais.
