O cientista Carlos Chagas descobriu o protozoário em 1909, durante suas intervenções no controle da Malária no estado de Minas Gerais. Ele observou o parasita em amostras de sangue de pacientes humanos, animais e em triatomíneos infectados, identificando sua relação com a doença transmitida pelos insetos. Naquela ocasião, ele também descreveu seu ciclo biológico, vetores, reservatórios, as manifestações patológicas além de introduzir estratégias terapêuticas e medidas de controle.
O ciclo começa quando tripomastigotas metacíclicos presentes nas fezes dos triatomíneos penetram no hospedeiro vertebrado através de lesões na pele ou mucosas, durante o ato de coçar. Em sequência, eles se multiplicam e transformam-se em amastigotas intracelulares, que se reproduzem por divisão binária. Antes de romperem as células infectadas, eles evoluem novamente para tripomastigotas e posteriormente disseminam-se pelo corpo.
A doença de Chagas pode evoluir em duas fases: aguda e crônica. Na fase aguda, o doente pode apresentar febre, mal-estar geral, inflamação no local da picada (chagoma de inoculação) e sintomas cardíacos em decorrência da miocardite. No entanto, a maioria dos casos permanece assintomático por anos ou décadas. Na fase crônica, complicações graves podem surgir devido à destruição contínua dos tecidos pelo parasita, como cardiomiopatia dilatada, megacólon e megaesôfago.
A transmissão da Doença de Chagas ocorre principalmente pela picada do inseto infectado, mas pode ocorrer por transmissão oral, transfusão de sangue contaminado, transplante de órgãos e transmissão vertical (de mãe para filho).
O período de incubação é o tempo entre a infecção e o aparecimento dos sintomas, como por exemplos: vetorial: 4 a 15 dias; transfusão ou transplante: 30 a 40 dias ou mais; oral: 3 a 22 dias; acidental: até 20 dias; e, vertical: pode ocorrer em qualquer momento da gestação ou no parto.
Na fase aguda, o diagnóstico é feito com base nos sintomas e na situação de risco, como surtos. Na fase crônica, muitas pessoas não têm sintomas. Nesse caso, é necessário investigar se a pessoa: morou ou mora em áreas onde existe o barbeiro; viveu em casas que facilitam a presença do inseto; veio de áreas com histórico da doença; recebeu transfusão de sangue antes de 1992; tem familiares com diagnóstico da doença; Gestantes com risco devem fazer o exame durante o pré-natal.
Uma medida importante é evitar a presença de barbeiros nas casas; usar telas em portas e janelas ou mosquiteiros; utilizar repelentes e roupas de manga longa, principalmente à noite e em áreas de mata; lavar bem frutas, verduras e legumes com água potável, antes do consumo, e guardá-los em recipientes fechados.
Obs: Os assuntos tratados nessa editoria seguem uma linha informativa, e a mesma não se responsabiliza em tratar diagnósticos. Em caso de apresentação de algum sintoma, um médico especialista deverá ser consultado.
Por Ezequias Gadelha / Com informações: Gov.br, Portal UNIFAL MG
