Guerra envolvendo EUA, Israel e Irã, além dos sucessivos fechamentos do estreito de Ormuz, tem dificultado o transporte e encarecido insumos fundamentais para o campo - Foto: © Foto / Marcello Casal Jr / Agência Brasil
A escalada do conflito no Oriente Médio já impacta diretamente o agronegócio brasileiro, com aumento dos preços e escassez de fertilizantes essenciais para a produção de alimentos.
A guerra envolvendo EUA, Israel e Irã, além dos sucessivos fechamentos do estreito de Ormuz, tem dificultado o transporte e encarecido insumos fundamentais para o campo, como ureia, amônia e enxofre. O Brasil, altamente dependente dessas importações, enfrenta riscos concretos de redução na adubação das lavouras nesta safra.
Segundo dados divulgados por um jornal de grande circulação, as importações brasileiras de fertilizantes caíram cerca de 45% entre janeiro e maio, levando indústrias como a Mosaic a reduzir a produção nacional. A escassez de enxofre, agravada pela limitação no acesso ao petróleo, também compromete a fabricação de fertilizantes fosfatados — dos quais 80% são importados pelo país — pressionando culturas estratégicas como arroz, trigo, café e laranja.
A tendência de menor adubação pode reduzir produtividade, qualidade e oferta de alimentos, embora o impacto dependa de outros fatores. Especialistas alertam que o setor ainda terá de enfrentar um forte El Niño, que pode provocar secas e chuvas fora de época, dificultando o desenvolvimento das lavouras. Se esses choques se confirmarem, os efeitos nos preços devem ser sentidos apenas no próximo ano, quando a safra atual chegar ao mercado.
O aumento dos custos já pesa sobre agricultores endividados, levando muitos a considerar a redução do uso de adubos. Analistas apontam que eliminar totalmente o fósforo só seria viável em anos com maior estoque no solo, o que não é o caso atual. Todas as culturas podem ser afetadas, e as compras para a safra de verão já estão atrasadas.
Grandes produtores tendem a sentir menos os efeitos devido ao acesso à tecnologia, planejamento e crédito. Já os pequenos agricultores, mais dependentes do mercado local e com menor margem financeira, devem cortar adubação, principalmente em culturas de baixa rentabilidade como trigo, café, laranja e arroz. Em regiões distantes dos portos, como Rondônia, o risco de atraso na chegada dos insumos é ainda maior.
Mesmo que chuvas bem distribuídas possam amenizar parte dos danos, a influência do El Niño torna o cenário incerto. O Brasil continua altamente dependente do mercado externo, importando cerca de 85% dos fertilizantes que consome.
Em 2026, as compras de fertilizantes caíram 1,5% até maio, com redução de 27% na ureia. Após o início do conflito, os preços subiram rapidamente — a ureia avançou 46% nas três primeiras semanas — e voltaram a subir com o novo fechamento da rota.
A insegurança global levou grandes fornecedores, como China e Rússia, a restringirem exportações para priorizar seus mercados internos. Com 45% dos fertilizantes brasileiros vindo de países politicamente instáveis, o risco estrutural permanece elevado.
Apesar de investimentos em novas plantas de nitrogênio no Brasil, os efeitos dessas iniciativas serão sentidos apenas no longo prazo, mantendo o país vulnerável a turbulências geopolíticas no curto prazo, conclui a reportagem.
