Assistência técnica e inovação ajudam produtores de leite em Alagoas - Foto: Assessoria
Produtores de leite de diferentes regiões de Alagoas registraram avanços na produtividade após a adoção de novas técnicas de manejo, alimentação e gestão das propriedades. Os resultados foram obtidos por meio de ações do Programa de Desenvolvimento Territorial (Prodeter), do Banco do Nordeste (BNB), realizadas no Baixo São Francisco e no Médio Sertão Alagoano.
Encerrados em junho deste ano, os dois Planos de Ação Territorial (PATs) atenderam mais de 170 criadores de gado leiteiro. No período, a produtividade das matrizes bovinas cresceu 70% no Baixo São Francisco e 21,5% no Médio Sertão.
O trabalho contou com a participação de instituições de assistência técnica e extensão rural, que acompanharam os produtores desde o diagnóstico das propriedades até a implantação de medidas para melhorar a produção.
Entre as atividades estiveram visitas técnicas, capacitações, elaboração de planos de melhoria, orientação individual e apresentação de tecnologias voltadas à alimentação, reprodução e manejo dos animais.
Baixo São Francisco
No Baixo São Francisco, aproximadamente 55 produtores de Penedo, Igreja Nova, Piaçabuçu e São Sebastião participaram das ações. O acompanhamento técnico foi realizado em parceria com a Emater-AL.
Entre as principais medidas adotadas estiveram o melhoramento genético dos rebanhos, o planejamento da alimentação dos animais e a organização da gestão das propriedades. Também foram incentivadas práticas como produção de silagem, planejamento de pastagens para períodos de estiagem, prevenção de doenças, controle da mastite e utilização de registros produtivos e financeiros.
Segundo os resultados consolidados pelo programa, a produção média mensal das propriedades participantes saltou de 1,5 mil para 3,5 mil litros de leite, crescimento de cerca de 135%. O faturamento médio também aumentou, passando de R$ 2,5 mil para R$ 6,7 mil por mês.
A capacitação técnica alcançou uma parcela maior dos produtores. Antes das ações, 30% dos bovinocultores tinham acesso direto a esse tipo de orientação. Ao final do projeto, o índice chegou a 83%.
De acordo com a equipe técnica, a adoção gradual das novas práticas ajudou a organizar os sistemas de produção, melhorar a qualidade do leite e reduzir os impactos provocados pelos períodos de escassez de alimento.
Médio Sertão
No Médio Sertão Alagoano, as atividades foram realizadas nos municípios de Santana do Ipanema, Dois Riachos, Poço das Trincheiras e Maravilhas, envolvendo cerca de 120 produtores.
A assistência foi conduzida pela consultoria rural Fazenda Eficiente, com foco principalmente em nutrição animal, produção de forragem e administração das propriedades.
Uma das novidades apresentadas aos criadores foi o sistema de pastejo rotacionado com palma forrageira, alternativa que busca facilitar o aproveitamento do alimento pelos animais e reduzir a necessidade de mão de obra. A tecnologia foi demonstrada em dias de campo, oficinas e unidades destinadas à demonstração prática.
Ao término do programa, a produção média mensal dos participantes aumentou de 5 mil para 7 mil litros de leite, uma alta de aproximadamente 44%. O faturamento médio mensal também apresentou crescimento de 15,5%.
Além dos ganhos de produção e renda, a iniciativa ampliou o acesso dos produtores à capacitação técnica e gerencial. No Médio Sertão, o percentual de bovinocultores diretamente atendidos por ações de capacitação passou de 34% para quase 44%.
Os resultados obtidos nos dois territórios mostram como a assistência técnica, aliada à adoção de tecnologias adaptadas à realidade do Semiárido, pode contribuir para tornar a atividade leiteira mais produtiva, organizada e economicamente sustentável em Alagoas.
