Voltado para comunidades tradicionais, pesqueiras artesanais, o estudo vai propor diálogos sobre educação ambiental, alterações climáticas, segurança e soberania alimentar - Foto: Assessoria
O Turismo de Base Comunitária começa a ganhar espaço como alternativa de geração de renda e valorização das comunidades pesqueiras tradicionais de Alagoas. Uma nova pesquisa-ação da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), vai investigar como a atividade pode contribuir para a sustentabilidade social e ambiental da pesca artesanal.
Coordenado pela pesquisadora Solange Coutinho, do Centro de Estudos em Dinâmicas Sociais e Territoriais (Cedist), da Fundaj, o projeto pretende aproximar o turismo das comunidades tradicionais, levando em consideração os desafios provocados pelas mudanças climáticas e pelas transformações nos territórios pesqueiros.
A proposta é discutir com os moradores estratégias que permitam diversificar as fontes de renda sem deixar de valorizar os modos de vida, os conhecimentos tradicionais e a relação das comunidades com o território.
O estudo considera o Turismo de Base Comunitária uma possibilidade de complementação de renda para famílias que dependem da pesca artesanal. A atividade pode estimular a valorização da cultura local, da gastronomia, dos saberes tradicionais e dos ambientes naturais presentes nos territórios pesqueiros.
A pesquisa também pretende promover diálogos sobre educação ambiental, segurança e soberania alimentar e mudanças climáticas, buscando identificar caminhos para que as comunidades estejam mais preparadas para os impactos ambientais.
De acordo com Solange Coutinho, compreender os problemas enfrentados pelas comunidades é uma etapa importante para construir alternativas de adaptação.
A equipe reúne pesquisadores da Diretoria de Pesquisas Sociais da Fundaj e do Departamento de Geografia da UFPE.
Experiência do litoral nordestino
A iniciativa está relacionada a outro trabalho desenvolvido pela UFPE e pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), que analisa os impactos sociais e ambientais sofridos por comunidades da pesca artesanal após o derramamento de petróleo de 2019.
Entre os dias 17 e 19 de agosto, pesquisadores, estudantes e representantes de organizações populares participaram do seminário “Petróleo e os Povos da Pesca Artesanal: enfrentando o racismo e a injustiça ambiental”, realizado em Tamandaré, Pernambuco.
O projeto desenvolvido pela UFPE e pelo MPA envolve comunidades pesqueiras de Alagoas, Pernambuco, Bahia e Sergipe. Iniciado em janeiro de 2024, o trabalho segue até agosto de 2026 e busca contribuir para políticas públicas de proteção dos recursos naturais e fortalecimento de práticas sustentáveis.
Valorização
A proposta do Turismo de Base Comunitária é fazer com que a atividade turística esteja diretamente ligada à participação dos moradores e à valorização dos territórios. Dessa forma, o visitante pode conhecer experiências, tradições e ambientes naturais sem que o turismo deixe de considerar as necessidades das populações locais.
Em Alagoas, onde a pesca artesanal faz parte da identidade de diversas comunidades costeiras e ribeirinhas, a iniciativa pode abrir espaço para novas experiências turísticas associadas à cultura, culinária, natureza e modos de vida tradicionais.
A expectativa é que os resultados das pesquisas ajudem a formular ações de educação ambiental e fortalecer as organizações comunitárias, além de estimular modelos de turismo capazes de gerar oportunidades econômicas e contribuir para a conservação dos territórios.
Com a integração entre turismo, ciência, meio ambiente e participação comunitária, o projeto busca apontar caminhos para que as próprias comunidades sejam protagonistas na construção de novas oportunidades de renda e no desenvolvimento de um turismo mais sustentável no Nordeste.
