O portal Radar Notícias traz a partir desta quarta-feira (27), uma série de reportagens que retrata o setor econômico das cidades do Alto Sertão de Alagoas. A proposta é mostrar como os municípios enfrentam a atual situação vivenciada no País.
Delmiro Gouveia foi escolhido como o primeiro município, não apenas por ser o mais populoso, mas também pela relevância econômica que exerce no Alto Sertão.
Considerada como a Terra do Pioneiro, o município que faz fronteira com à Bahia, possui uma área de 607,813 km² de extensão e uma população de 51.763 habitantes, de acordo com o censo de 2018, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Margeada pelo Rio São Francisco, mais conhecido como Velho Chico, o município é rico em belezas naturais, com cenários deslumbrantes.
Grande parte da economia da cidade girava em torno da Fábrica da Pedra, que foi fechada na data de 31/07/2017, fator que fez com que 583 pessoas fossem demitidas, deixando uma grande lacuna no capital de giro do município.
De lá até os dias atuais, o município sente diretamente o impacto causado pelo fechamento deste importante empreendimento. A prova que a situação de Delmiro Gouveia não vai bem, são os dados do SPC, que apontam 16.329 pessoas da Terra do Pioneiro com o nome em restrição de crédito.
Os dados são uma estimativa, ou seja, oscilam de acordo com o passar dos meses. Porém, refletem a estagnação do capital de giro na Terra do Pioneiro. Com isso, a mão de obra local, a exemplo do comércio, feira etc, ficam cada vez mais desprovidos e, muitas das vezes, acabam tendo que fechar às portas.
E nesse emaranhado de situações adversas, o comércio informal, visto por muitos como a única solução, traz situações paliativas, mas que podem tornar-se emblemáticas no futuro. Por exemplo, nesse tipo de atividade, o vendedor geralmente busca um produto para ganhar lucro e manter o sustento da família.
Entretanto, muitas vezes, os produtos não dispõem de procedência adequada e dentro das normas da Agência de regulação. Tem também a questão das garantias trabalhistas, como INSS, PIS, que dentro do comércio informal, o cidadão não tem direito.
Com muitas pessoas sem acesso a crédito, ou seja, popularmente com o nome sujo na ‘praça’, mais a economia do município fica estagnada e o capital de giro não flui.
Por ser uma cidade polo, Delmiro Gouveia também sofre com a migração de pessoas de municípios próximos, a exemplo de Inhapi e Água branca que, na grande maioria, seguem para outros destinos em busca de serviços, gêneros alimentícios e até de lazer.
Transversalidade
Ao cruzar os dados do SPC, percebemos que os demais municípios, em proporção a quantidade de habitantes, apresentam menor quantidade de devedores.
Ao que se deve essa diferença? Por quais motivos acontecem? Como um município polo tem perdido tanto nas questões econômicas?
Esse fator é o objeto da nossa segunda reportagem da série “Caminhos da Economia no Alto Sertão”, que vai ser apresentada nesta quinta-feira. Até lá!
Cânion do Rio São Francisco – Foto: Andrews Moura
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