Família acusa hospital do DF de negligência após paciente ter parte das nádegas amputada José Marques Barbosa, de 62 anos, entrou andando após acidente e hoje corre risco de morte; hospital nega falha Por Redação com agências 12/04/2026 12h12 - Atualizado em 12/04/2026 14h02

                                                     José Marques Barbosa, de 62 anos - Foto: Reprodução

José Marques Barbosa tinha 62 anos e pesava 65 quilos quando foi atropelado por uma moto e deu entrada no Hospital de Base do Distrito Federal, em janeiro de 2026. Hoje, internado no Hospital Regional de Samambaia, ele pesa menos de 55 quilos, parte das nádegas foi amputada, e a família teme que ele não sobreviva a uma infecção bacteriana.

O filho Ilton Costa Marques, de 37 anos, descreveu o momento em que viu o pai após a cirurgia. "Tiraram grande parte das nádegas do meu pai. Quando vi o local da amputação, quase caí para trás. Fiquei muito triste", disse. Segundo ele, José precisa de medicação diária só para suportar as dores. "Sem os remédios, ele não vai aguentar. É dor demais."

A família acredita que tudo poderia ter sido evitado.

Após o acidente, José foi tratado no Hospital de Base por traumatismo craniano, fraturas na clavícula e em três costelas. Recebeu alta em 3 de fevereiro, segundo os parentes, sem prescrição adequada de medicamentos. Dias depois, passou mal, foi levado a uma UPA e diagnosticado com pneumonia grave e plaquetas baixíssimas. Voltou ao Base, onde a família relata até uma perda temporária do prontuário. Após pressão dos parentes e intervenção do Ministério Público, conseguiu transferência para o Hospital Regional de Sobradinho, onde os médicos identificaram a lesão nas nádegas e decidiram pela amputação.

O que os profissionais do Sobradinho teriam estranhado, segundo Ilton, era o fato de o paciente não ter sido virado regularmente durante a internação no Base. A mudança de decúbito, como é chamada a manobra, é um procedimento padrão para evitar feridas por pressão em pacientes com mobilidade reduzida. "Não entenderam por que não o fizeram no Base. As nádegas estavam muito lesionadas", relatou.

O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IgesDF), responsável pelo Hospital de Base, nega negligência. Em nota, afirmou que José recebeu alta sem sinais de infecção, que não houve perda de prontuário e que a lesão por pressão, classificada como grau II na região sacral, foi identificada e tratada com curativos e mudanças de posição. O instituto reconhece que pacientes graves com mobilidade reduzida têm risco elevado para esse tipo de complicação, mesmo com protocolos rigorosos, e nega qualquer procedimento cirúrgico nas nádegas durante a internação no Base.

A Secretaria de Saúde do DF confirmou apenas que José segue internado no Hospital Regional de Samambaia, sem informar seu estado atual.

A família já registrou boletim de ocorrência e estuda entrar na Justiça. José Marques ainda apresenta confusão mental e perda de memória. Não há previsão de alta.


 

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