Substância experimental apresentou resultados promissores contra dor neuropática em testes - Foto: Reprodução
Pesquisadores da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos,
desenvolveram um composto experimental derivado da cannabis que pode
aliviar dores sem provocar os efeitos psicoativos normalmente associados
ao THC, principal substância responsável pela sensação de euforia
causada pela planta.
A descoberta surge em meio à busca por
alternativas mais seguras para o tratamento da dor neuropática, condição
provocada por danos ou alterações nos nervos e que costuma apresentar
difícil controle com os medicamentos disponíveis atualmente.
Nos
testes realizados pelos cientistas, a substância, denominada KLS-13019,
conseguiu reduzir os sinais de dor sem desencadear mudanças
comportamentais ligadas ao uso de compostos que atuam diretamente no
cérebro.
Segundo os pesquisadores, o diferencial está no
mecanismo de ação do composto. Enquanto o THC age em receptores
presentes no sistema nervoso central, provocando alterações de percepção
e consciência, o KLS-13019 parece atuar principalmente em receptores
CB1 localizados em outras regiões do organismo.
Alternativa para dores crônicas
A
estratégia permite que o composto aproveite os mecanismos biológicos
relacionados ao controle da dor sem gerar os efeitos psicoativos que
costumam limitar o uso de alguns medicamentos derivados da cannabis.
Para
os autores do estudo, a substância representa uma possibilidade
promissora para o desenvolvimento de tratamentos voltados a pacientes
que convivem com dores crônicas e necessitam de terapias de longo prazo.
Além
disso, o composto foi projetado para preservar características
terapêuticas associadas ao CBD, outro derivado da cannabis amplamente
utilizado na medicina, reduzindo ao mesmo tempo riscos relacionados à
atuação direta no sistema nervoso central.
Pesquisa ainda está em fase inicial
Apesar
dos resultados considerados animadores, os cientistas ressaltam que o
desenvolvimento ainda se encontra em estágio preliminar. Até o momento,
os testes foram realizados apenas em modelos pré-clínicos, etapa que
antecede os estudos em seres humanos.
Os pesquisadores afirmam
que novas pesquisas serão necessárias para avaliar a eficácia, a
segurança e os possíveis efeitos da substância em pacientes.
Caso
os resultados sejam confirmados nas próximas fases, o KLS-13019 poderá
abrir caminho para uma nova geração de medicamentos destinados ao
tratamento da dor neuropática, oferecendo alívio sem os efeitos
psicoativos que ainda representam uma limitação para parte dos produtos
derivados da cannabis.
*Informações de Metrópoles
