Presidente dos EUA, Donald Trump - Foto: Kenny Holston-Pool/Getty Images
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo
(12) que as forças americanas atingiram o Irã "com muita força" durante a
noite. A declaração foi dada numa entrevista matinal ao apresentador
Jake Tapper, da CNN, no programa State of the Union.
"Há algo de
errado com essas pessoas", disse Trump. Segundo ele, um acordo que
estava sendo construído com os iranianos desmoronou de forma repentina.
"Tínhamos um acordo com eles ontem. Eles estavam cedendo em tudo e, de
repente, duas horas depois, atingiram um navio com um drone."
Segundo
as forças armadas americanas, o ataque mais recente teve 140 alvos
militares iranianos, e aconteceu como resposta a um disparo contra um
navio mercante que passava pelo Estreito de Ormuz, ação que Washington
atribui ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. Essa já é a
terceira rodada de ataques americanos contra o país em uma única semana,
um sinal de que a escalada entre os dois países segue longe de esfriar.
Vale
contextualizar como se chegou até aqui. Os EUA e o Irã vinham de um
cessar-fogo, mas a trégua já tinha sido dada como encerrada por Trump
depois de uma rodada anterior de ataques, na última semana, quando o
Pentágono atingiu mais de 80 alvos iranianos, incluindo sistemas de
defesa, radares costeiros e embarcações da Guarda Revolucionária. Na
ocasião, Trump chegou a classificar os iranianos como "gente ruim" e
disse não ter mais interesse em negociar diretamente com o regime.
Um
ponto que segue gerando confusão é justamente o status do Estreito de
Ormuz, rota estratégica pela qual passa boa parte do petróleo mundial.
Segundo comunicado divulgado pelas autoridades iranianas, o estreito
"permanecerá fechado até novo aviso e até que a interferência regional
dos Estados Unidos cesse", com a determinação de que nenhuma embarcação
ou navio militar tenha permissão de passar. Do lado americano, porém,
Trump nega essa versão. Segundo ele, "para nós, o estreito está aberto".
Esse
tipo de mensagem contraditória entre os dois países preocupa o mercado
internacional, já que qualquer bloqueio real ao Estreito de Ormuz tende a
pressionar o preço do petróleo globalmente, dado o volume de tráfego
marítimo que passa por ali diariamente.
