Juíza condena líder de seita no Quênia por assassinato de 191 pessoas A sentença será anunciada em 6 de novembro, após julgamento sobre o massacre na Floresta de Shakahola Redação CPAD NewsBy Redação CPAD News20 de outubro de 20263 Mins Read

                                                            Foto: reprodução/frame de video 

O líder de uma seita apocalíptica no Quênia, Paul Nthenge Mackenzie, foi considerado culpado pelo assassinato de 190 crianças e um adulto. A juíza Diana Kavedza Mochache anunciou o veredito nesta segunda-feira (19), na Alta Corte de Mombaça.

O autoproclamado pastor foi preso em 2023, após a polícia receber uma denúncia. Semanas depois, as autoridades começaram a encontrar corpos enterrados em covas rasas na Floresta de Shakahola, próxima à costa, no sudeste do Quênia. O caso ficou conhecido mundialmente como o “Massacre de Shakahola”.

O julgamento durou mais de oito horas. Durante a leitura do veredito, a juíza afirmou que os seguidores de Mackenzie acreditavam que ele era um “porta-voz de Jesus”. Além do líder, outros 28 integrantes da seita também foram condenados por assassinato.

De acordo com a magistrada, os sepultamentos na floresta, onde o grupo vivia, eram descritos como casamentos. “Os mortos eram homenageados como se tivessem se casado com Jesus”, declarou.

Mackenzie negou as acusações de assassinato, alegando que não obrigou ninguém a morrer de fome. No entanto, o tribunal rejeitou o argumento da defesa. A sentença do líder e dos demais condenados está marcada para 6 de novembro. O advogado de defesa, Lawrence Obonyo, afirmou que recorrerá da decisão.

Segundo os promotores, Mackenzie e outros líderes ordenavam que os membros da Igreja Internacional Boas Novas jejuassem até a morte, inclusive com seus filhos, sob a justificativa de que assim poderiam “encontrar Jesus”. Exames realizados nos corpos também identificaram sinais de estrangulamento em algumas vítimas.

A juíza informou ainda que, em determinados casos, crianças foram isoladas e privadas de alimentos enquanto os próprios pais assistiam à situação.

Um dos líderes acusados teria declarado que aqueles que “resistissem à ordem de jejuar deveriam ser forçados a ir para o céu com socos e pontapés”.

O pregador também afirmava que a medicina era “maligna” e proibia as crianças de frequentarem a escola, por considerar o sistema educacional “ocidental e anticristão”. Além disso, os integrantes da seita eram instruídos a queimar documentos de identidade, certidões de nascimento e títulos de propriedade, considerados por ele uma “marca do demônio”.

Desde 2017, Mackenzie já era investigado pelas autoridades por suspeitas de radicalização religiosa e por impedir que menores frequentassem a escola. Em 2019, a igreja foi fechada pela polícia, e ele transferiu suas atividades para a Floresta de Shakahola.

Segundo testemunhas ouvidas pela agência Reuters, Mackenzie teria planejado o jejum fatal em etapas: primeiro, as crianças; depois, as mulheres e os jovens; e, por último, os homens.

Os integrantes da seita viviam em casas improvisadas, cobertas com lona e palha. O líder dividia a área em setores com nomes bíblicos, como Jerusalém e Judeia.

Em 2023, Mackenzie foi preso após um morador denunciar à polícia que seu irmão e a esposa haviam deixado os próprios filhos morrerem de fome na floresta, seguindo as orientações do pregador. Ele chegou a ser solto mediante pagamento de fiança, mas voltou a ser preso em abril daquele ano, quando as autoridades começaram a encontrar os corpos em covas rasas.

Ao longo das buscas na Floresta de Shakahola, mais de 400 corpos foram encontrados, muitos em avançado estado de decomposição. O veredito anunciado nesta segunda-feira diz respeito a 191 mortes.

 

Redação CPAD News / Com informações Reuters e BBC News Brasil


 

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